Quando

26 de Outubro de 2017
08:00 às 19:00

Local

São Paulo
Avenida Braz Leme, 1000 , Santana (Auditório TOTVS)

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Debate: BIM e a inovação na construção

Para especialistas, construção ainda é conservadora no uso de novas tecnologias, impactando a produtividade e o desenvolvimento do setor

Uma mesa de debates formada por acadêmicos e profissionais que atuam no mercado trouxe à tona no Seminário Internacional BIM diferentes visões sobre a inovação na construção civil, no entanto, todas as opiniões convergem para a necessidade urgente de mudanças.

O coordenador do Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP (Comasp) e diretor da Tecnisa, Fábio Villas Bôas, fez um paralelo entre a rapidez com que os recursos mais modernos chegam a diversas áreas com as realizações no condomínio Jardim das Perdizes – empreendimento que conta com diversos recursos que atendem às exigências de certificações como o Green Building; elevadores inteligentes, que economizam energia; um amplo sistema de captação de água da chuva para reaproveitamento, além de pontos de recarga para carros elétricos, entre outros recursos que poucos empreendimentos têm no país. “Apesar de ser um condomínio extremamente moderno, o sistema de cabeamento, quando foi entregue, já estava obsoleto. É comum isso acontecer no nosso segmento porque demoramos a fazer,” lamentou.

Villas Bôas lembrou que, no Brasil, o processo de trabalho é realizado totalmente diferente do que ocorre em países onde a construção civil está mais avançada. “Lá fora as empresas dispendem mais tempo na fase de projeto. Aqui, quando compramos o terreno já começa a girar um relógio que conta os nossos custos, por causa da inflação, por isso a gente corre com a elaboração do projeto para começar logo a construção. Isso porque sabemos que ela vai durar uns dois anos,” explicou.

O aumento da confiabilidade do trabalho que será realizado aliado à redução do tempo de execução foram lembrados pelo pesquisador de Centro de Estudos de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná, Sérgio Scheer. “O trabalhador do canteiro de obras em 2025 terá tratores inteligentes e equipamentos que poderão potencializar suas funções, aumentar produtividade. A inteligência artificial é outro benefício para o setor. Ela melhora a atuação do projetista. BIM é uma mudança cultural. Infelizmente ainda ensinamos os alunos a fazerem projetos sem considerar BIM.”

O consultor e professor José Renato Santiago trouxe para a discussão o conservadorismo da construção. “Quantas construtoras reciclam concreto? É um número muito pequeno. Só vão começar a fazer isso quando houver uma legislação e isso pesar no bolso. Aí vamos chamar de inovação.” Santiago falou ainda dos erros em orçamento, provocados pelo uso de métodos já ultrapassados, além de uma substituição inadequada de pessoas: aumento do número de profissionais inexperientes, pensando somente na redução de custos.

O arquiteto e consultor de tecnologia na implantação, treinamento e desenvolvimento de sistemas de CAD, Roberto Klein, lembrou o hábito de priorizar ganhos imediatos para só depois investir em tecnologia e desenvolvimento, atrasando o setor. “A maioria das empresas não adota inovações enquanto elas não veem custos e ganhos. Outra questão é a maneira como o BIM é aproveitado. A maioria dos escritórios modela em BIM, mas não usa o “i”, a informação, ou seja, vira um recurso subaproveitado”, alertou.

A questão dos custos e o melhor aproveitamento do BIM foram comentados por um dos integrantes do CTQ e diretor da Construtora Fiorese Fernandes, Fernando Fernandes. “Na missão do SindusCon-SP aos Estados Unidos, em 2010, eu queria comprar o software e começar a usar. Vi que não era bem assim. Então passei a frequentar eventos, seminários e tudo o que fosse possível para eu me informar sobre o BIM”, contou.

Em sua apresentação ele mostrou como pode custar pouco a implantação da ferramenta. “Contratamos uma pessoa para gerenciar e incorporar o BIM aos processos de orçamento e planejamento. Quanto aos softwares, utilizamos os que são de livre acesso. Em relação aos equipamentos foi necessário adquirir um desktop que atendesse os requisitos mínimos para visualizar o modelo. E isso foi o suficiente.”

O 8º Seminário Internacional BIM foi uma realização do SindusCon-SP, por meio do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) e Comitê de Meio Ambiente (Comasp) e da Totvs. O evento contou com o patrocínio da Autodesk, BIMobject e Totvs.